sábado, 1 de outubro de 2011

  O Trânsito de São Francisco





Conservando uma antiga tradição, a Ordem de São Francisco costuma celebrar o “Trânsito” (passagem para a vida eterna) de seu pai fundador ao entardecer do dia 03 de outubro. Em alguns lugares esta celebração ocorre à noite com a presença de muitas pessoas devotas, incluindo até mesmo a dramatização dos últimos momentos do santo aqui na terra.




O Frei Tomás de Celano, escritor da primeira “biografia” de São Francisco por ocasião de sua canonização em 1228, nos descreve em detalhes como se deu o trânsito do seráfico pai:

“No sexto mês antes do dia de sua morte, estando em Sena para tratar da enfermidade dos olhos, começou a adoecer gravemente em todo o corpo e, estando debilitado o estômago por longa doença e pelo mau estado do fígado, vomitou muito sangue, de modo que parecia aproximar-se da morte” (1Celano 105,1).





Frei Elias, o Vigário Geral da Ordem de São Francisco, informado sobre a grave situação, veio imediatamente para junto do santo para lhe dar toda assistência necessária:

“Na chegada dele, o santo pai convalesceu tanto que, tendo deixado aquela terra, veio com ele a Celle di Cortona. Chegando ele e morando ali por algum tempo, o ventre dele se dilatou, as pernas intumesceram, os pés incharam, e o mal do estômago atacou cada vez mais, de modo que mal conseguia tomar algum alimento. Pediu, então, a Frei Elias que fizesse com que ele fosse transportado para Assis” (1Celano 105,4-5).

Celle di Cortona: convento construído no local onde
São Francisco morou por algum tempo. 


De volta à sua cidade natal, e estando hospedado no palácio do bispo, sentiu que sua hora se aproximava:

“Por esta razão, rogou aos irmãos que o transportassem apressadamente ao eremitério de Santa Maria da Porciúncula. Pois queria entregar a alma a Deus lá onde, como foi dito, no início conheceu com perfeição o caminho da verdade” (1Celano 108,11-12).

Um dos caminhos que ligam Assis
 ao vale onde se localiza a Porciúncula.


No caminho para a Porciúncula o pai Francisco quis abençoar a sua cidade querida:

“Quando aqueles que o carregavam chegaram ao hospital que fica a meio caminho entre Assis e Santa Maria, pediu aos carregadores que pusessem o leito por terra. Embora, devido à longa e grave doença dos olhos, já quase não pudesse ver, mandou voltar o leito para ter o rosto na direção da cidade de Assis. E, erguendo-se um pouco no leito, abençoou a cidade” (2Espelho de Perfeição 124,3-5).





De fato, os últimos dias do santo pai Francisco transcorreram naquele lugar muito amado, a Porciùncula, no qual ele sentia uma forte presença da graça divina:

“Depois de ter descansado poucos dias no lugar muito desejado e sabendo que era iminente a hora da morte, chamou junto a si dois irmãos e filhos seus prediletos, ordenando-lhes que cantassem em alta voz e na exultação do espírito os Louvores ao Senhor pela morte próxima, ou antes, pela vida tão próxima. E ele, como pôde, prorrompeu naquele salmo de Davi e disse: ‘Com minha voz clamei ao Senhor, com minha voz supliquei ao Senhor’ (Sl 141)” (1Celano109,5-6).



“Mandou, finalmente, que fosse trazido o códice dos Evangelhos e pediu que fosse lido o Evangelho segundo João a partir daquele lugar em que começa: Seis dias antes da Páscoa, sabendo Jesus, que chegara a sua hora de passar deste mundo ao Pai (Jo 13,1)... Mandou, em seguida, que fosse colocado sobre o cilício e aspergido com cinza aquele que em breve seria terra e cinza” (1Celano110,1.3).


Um pouco antes de 1247 o Frei Tomás de Celano recebeu a missão de elaborar uma nova obra sobre a vida de São Francisco, a qual nos oferece outros detalhes sobre os últimos dias do santo:

“Estando ele assim desgastado por sofrimentos de todos os lados, é admirável que ainda pudesse ter forças suficientes para suportá-los. Chamava, no entanto, suas angústias não com o nome de penas, mas de irmãs” (2Celano 212,1-2).



“Alquebrado, pois, por aquela enfermidade tão grave que colocou um fim a todo sofrimento, ele mandou que fosse deposto nu sobre a terra nua... Colocado assim sobre a terra, despojado da veste de saco... cobriu com a mão esquerda a chaga do lado direito para que não fosse vista. E disse aos irmãos: ‘Eu fiz o que é meu [dever]; que Cristo vos ensine o que é o vosso!’



Ao verem estas coisas, os filhos produzem rios de lágrimas e, tirando do íntimo longos suspiros, sucumbem ao compadecer-se com imensa dor. Neste ínterim, tendo contido de algum modo os soluços, o seu guardião, que por divina inspiração reconheceu o que ele realmente desejava, levantou-se rapidamente e, tomando uma túnica com os calções e um gorro, disse ao pai: ‘Saibas que esta túnica, os calções com o gorro, pelo mandato da santa obediência, te são emprestados por mim! Mas, para que saibas que não tens nenhuma propriedade sobre eles, tiro-te o poder de dá-los a alguém’. O santo alegra-se e regozija-se com grande alegria do coração, porque percebe que manteve até ao fim a fidelidade à senhora pobreza. Fizera todas estas coisas pelo zelo da pobreza, de modo que no fim não queria ter hábito próprio, mas como que emprestado por outro. E ele havia usado um gorro de saco na cabeça para cobrir as cicatrizes que recebera em vez da saúde dos olhos; para ele era extremamente necessário um gorro de lã preciosa, que fosse muito macio” (2Celano 214-215).




“E assim, estando os irmãos a lamentar amargamente e a chorar inconsolavelmente, o santo pai mandou que lhe fosse trazido um pão. Ele o abençoou e o partiu e deu um pedacinho a cada um para comer (...).

Passou assim, em louvor, os poucos dias que lhe restavam até a morte, convidando seus irmãos mui diletos a louvarem consigo o Cristo... Convidava também todas as criaturas ao louvor de Deus e, por meio das palavras que outrora compusera, ele próprio as exortava ao amor de Deus. Exortava ao louvor até a própria morte, terrível e odiosa para todos, e, indo alegre ao encontro dela, convidava-a à sua hospitalidade; disse: ‘Bem-vinda, minha irmã morte!’ (2Celano 217).




 São Boaventura acrescenta-nos uma outra informação:

“As cotovias, que são amigas da luz e detestam as trevas dos crepúsculos, na hora do trânsito do santo homem, sendo que o crepúsculo da noite já estava iminente, chegaram em grande multidão sobre o teto da casa e, rodeando longamente com uma insólita jubilação, davam testemunho alegre e evidente da glória do santo que costumava convidá-las ao louvor divino” (Legenda Maior 14,6).




No trânsito do pai Francisco estava presente uma senhora da nobreza romana chamada Jacoba de Settesogli que “merecera o privilégio de uma afeição toda particular da parte do santo” (3Celano 37,1):

“Poucos dias antes da morte do santo, este, prostrado pela doença prolongada ... quis enviar uma mensagem a Roma dirigida à Senhora Jacoba, comunicando-lhe que se apressasse, caso desejasse ver aquele a quem tanto amara ... Foi escrita uma carta; procurou-se um mensageiro capaz de ir com toda a rapidez. Descobriu-se alguém que se dispôs a partir imediatamente. Diante da porta, no mesmo instante, ouve-se o tropel de cavalos chegando, o estrépito de soldados e o rumor de uma comitiva. Um dos companheiros do santo, justamente aquele que preparava o mensageiro, dirigindo-se à porta, encontra presente aquela que ele procurava como ausente. Todo maravilhado, correu depressa ao santo e, não cabendo em si de tanta alegria, disse-lhe: ‘Boas novas anuncio, pai!’ Antes mesmo de ouvir o que o outro lhe ia dizer, o santo respondeu imediatamente: ‘Bendito seja Deus, que nos enviou nosso irmão, Senhora Jacoba! Abri as portas e introduzi-a, pois o decreto que proíbe a entrada de mulheres não vale para Frei Jacoba’.



Tudo quanto a carta pedia que fosse trazido para as exéquias do pai esta santa mulher o trouxera. Um pano cinza para cobrir o corpo moribundo, muitas velas, um sudário para cobrir o rosto, um travesseiro para a cabeça, e mesmo algumas iguarias de que o santo gostava. Tudo o que o espírito desse homem desejara Deus havia trazido ... A multidão, sobretudo a devota população da cidade, esperava, para breve, o nascimento do santo pela sua morte. Mas a chegada da devota romana deu mais força ao santo, e havia esperança de que ele viveria ainda um pouco mais. Esta senhora decidiu despedir os demais de sua comitiva, mantendo junto a si apenas seus filhos e alguns escudeiros. O santo a dissuadiu: ‘Não, disse-lhe ele, porque vou morrer no sábado; partirás domingo de volta com todos’. Assim aconteceu: na hora anunciada, entrou na Igreja triunfante aquele que com tanta bravura servira nas fileiras da Igreja militante. (...)



Enfim, particularmente banhada em lágrimas, conduzindo-a com discrição e entregando-lhe nos braços o corpo do amigo, o vigário do santo diz: ‘Eis aqui, toma nos braços, depois de morto, aquele a quem amaste quando vivo’. Derramando lágrimas ardentes sobre o corpo do santo, repetia palavras suaves e soluços, abraçando-o com lânguidos abraços e ósculos ... Contempla o vaso precioso em que o precioso tesouro estivera escondido, ornado com cinco pedras preciosas ... E assim, cheia de alegrias incomuns, reviveu no amigo morto. (...) Retorne então a peregrina à sua cidade, consolada com o privilégio de tamanha graça, e nós, depois de haver narrado a morte do santo, passemos a outros fatos” (3Celano 37-39).




Finalmente, ao entardecer do dia 03 de outubro de 1226, o pai Francisco abraçou a irmã morte realizando de modo santo e feliz o seu trânsito para a vida eterna. Aquele que não se cansou de entoar os louvores de Deus durante a sua vida “recebeu a morte cantando” (2Celano 214,4).




No dia seguinte, 04 de outubro de 1226, uma multidão acorreu à Porciúncula para conduzir o corpo do santo à igreja de São Jorge, dentro dos muros da cidade, onde ficaria sepultado. No caminho, antes de chegar à cidade, o cortejo fúnebre parou um pouco no mosteiro de São Damião:




 “Passando também pela igreja de São Damião, na qual aquela nobre virgem Clara – agora gloriosa nos céus – então morava reclusa com outras virgens, e aí mantendo por algum tempo o sagrado corpo marcado com as pérolas celestes, apresentaram-no para ser visto e beijado por aquelas santas virgens. Em seguida, chegando à cidade com júbilo, sepultaram na igreja de São Jorge, com toda reverência, o precioso tesouro que levavam. De fato, naquele lugar, ainda menino, ele aprendeu as letras, aí depois pregou, aí finalmente recebeu o primeiro lugar do repouso” (Legenda Maior 15,5).

Em 1230 o corpo de São Francisco foi transladado para a grande basílica construída em honra do santo. 

Basílica de São Francisco.


Altar onde estão os restos mortais de São Francisco.

Aqui repousam os restos mortais de S. Francisco.

Capela do Trânsito de São Francisco,
localizada por trás da Porciúncula.

Capela do Trânsito de S. Francisco.


Celle di Cortona: convento construído no local
 onde S. Francisco viveu por algum tempo.


PAX ET BONUM



 Frei Salvio Romero, eremita capuchinho.

sexta-feira, 2 de setembro de 2011







ESTIGMAS
DE SÃO FRANCISCO

No dia 17 de setembro a família franciscana celebra a festa litúrgica da impressão das chagas do seráfico pai São Francisco. Esta antiga festa, aprovada pelo papa Bento XI (1303-1304), faz memória daquele fato miraculoso ocorrido no Monte Alverne em 1224.



MONTE ALVERNE

O Alverne é um monte que se ergue majestoso no centro da Itália, região da Toscana, na diocese de Arezzo. O ponto mais alto deste monte alcança os 1283 metros acima do nível do mar.



A relação de São Francisco com o monte Alverne começa exatamente no dia 08 de maio de 1213 no castelo de São Leão em Montefeltro por ocasião de uma solenidade (investidura na cavalaria de um filho do conde de Montefeltro). Passando por ali, São Francisco e Frei Leão resolveram entrar no castelo para observar o que ali acontecia.
Estava participando daquela solenidade um nobre senhor da Toscana que há muito tempo desejava conhecer São Francisco. O nome desse nobre era Orlando Cattani, Conde de Chiusi. Neste mesmo dia, depois de conversar com o santo, ele deu de presente a São Francisco um monte rochoso chamado Alverne para que fosse utilizado como eremitério. O santo pai se encheu de alegria por causa daquela oferta do piedoso senhor e aceitou-a com humildade.




Ao longo de sua vida o seráfico pai subiu muitas vezes àquele santo lugar para seus retiros. A primeira ida do santo ao Alverne se deu no verão de 1214:
Chegando ao monte Alverne, São Francisco “andou um pouco e encontrou, quase destruída, a cabana preparada um ano antes pelos frades que tinham sido mandados para conhecer o monte. Era exatamente isso que ele queria: um monte solitário, selvagem, privado de todo conforto e sem nenhuma defesa. Assim era o Alverne. Tomou posse dele e aí voltou muitas vezes” (Dicionário Franciscano, Vozes, 1999, 2ª edição, pág. 219).

Antigo desenho do monte Alverne

O conde Orlando foi grande benfeitor da Ordem de São Francisco. Mandou construir no Alverne algumas cabanas para os frades e ajudou na construção de uma igreja dedicada a Nossa Senhora dos Anjos que o santo pai ergueu naquele monte entre os anos de 1216 a 1218.

Vista aérea do monte Alverne

O seráfico pai amava profundamente o Alverne porque ali ele podia reviver mais intensamente o mistério da Paixão de nosso Senhor Jesus Cristo:
“A ânsia e o desejo de Deus atingem aqui o cume do amor e da dor. Tal como o monte se lhe apresentava: as imensas crateras das rochas, os antros e as cavernas faziam com que ele pensasse na paixão e morte de Jesus no Calvário. Vinha à sua mente o Santo Evangelho: ‘E fenderam-se as rochas’ (Mt 27,51). Um anjo lhe diz que também os rochedos do Alverne se abriram no exato momento da morte do Salvador” (Dicionário Franciscano, Vozes, 1999, 2ª edição, pág. 219).




Após a morte do santo pai Francisco, muitas outras construções foram sendo erguidas ao longo dos séculos para honrar e dignificar aquele santo lugar.
“A doação do monte que o Senhor Orlando fez a Francisco e a seus companheiros realizou-se somente oralmente. Durante 61 anos os frades moraram ali pacificamente, fiados na palavra do doador. O presente foi ratificado pelos filhos: Orlando Júnior, Cungio, Bandino e Guilherme, a 9 de julho de 1274. Através desse ato de confirmação conhecemos a extensão do território doado por seu pai, benfeitor e amigo de Francisco (Dicionário Franciscano, Vozes, 1999, 2ª edição, pág. 217).

Monte Alverne no outono.

Ainda hoje os frades residentes no monte Alverne conservam uma antiga tradição que remonta ao ano de 1432: todos os dias, após o Ofício das três horas da tarde (Noa), os frades saem em procissão da igreja principal até a igreja dos Sagrados Estigmas onde o santo pai recebeu as chagas de Cristo.

Procissão até a igreja dos Sagrados Estigmas.




Corredor que conduz à igreja dos Sagrados Estigmas.

Igreja dos Sagrados Estigmas: aqui foi o lugar onde São Francisco
viu o Serafim crucificado.




A ESTIGMATIZAÇÃO DE SÃO FRANCISCO



A última ida de São Francisco ao monte Alverne se deu no final do verão de 1224. Sendo grande devoto de São Miguel, o santo pai se dirigiu ao Alverne para fazer mais uma quaresma em honra deste arcanjo.

Um antigo escrito franciscano chamado de “Considerações sobre os Sacrossantos Estigmas” registra uma oração que o santo pai Francisco dirigiu a nosso Senhor Jesus Cristo enquanto estava retirado no Alverne:



“Ó Senhor meu Jesus Cristo, duas graças te peço que me faças antes que eu morra: a primeira é que em vida eu sinta na alma e no corpo, quanto for possível, aquelas dores que tu, doce Jesus, suportaste na hora de tua arcebíssima paixão; a segunda é que eu sinta no meu coração, quanto for possível, aquele excessivo amor do qual tu, Filho de Deus, estavas inflamado para voluntariamente suportar uma tal paixão por nós pecadores” (Considerações dos Estigmas 3).




“Dois anos antes de devolver sua alma ao céu, permanecendo ele no eremitério que pelo lugar em que estava situado se chama Alverne, viu, numa visão divina, um homem à semelhança de um Serafim que tinha seis asas, o qual pairava acima dele com as mãos estendidas e com os pés unidos, pregado à cruz. Duas asas se elevavam sobre a cabeça, duas se estendiam para voar, duas enfim cobriam todo o corpo. E o bem-aventurado servo do Altíssimo, ao ver isto, enchia-se da mais profunda admiração, mas não sabia o que esta visão queria significar. Também rejubilava-se muito e alegrava-se mais intensamente pelo benigno e gracioso olhar com que percebia era olhado pelo Serafim, cuja beleza era demasiadamente inestimável, mas embaraçava-o completamente a crucifixão e a crueldade da paixão dele. E assim, ele se levantou, por assim dizer, triste e alegre, e a alegria e a tristeza alternavam-se nele. Pensava solícito o que poderia significar esta visão, e o espírito dele ficava muito ansioso para captar o sentido inteligível dela. E como não percebesse nada dela com inteligência clara e como a novidade desta visão se apoderasse do coração dele, começaram a aparecer-lhe nas mãos e nos pés as sinais dos cravos, à semelhança do homem crucificado que pouco antes vira acima dele” (1Celano 94).




“Depois que o verdadeiro amor de Cristo transformou o amante na própria imagem, tendo completado o número de quarenta dias, de acordo com o que decretara, sobrevindo também a solenidade do Arcanjo Miguel, Francisco, o homem angélico, desceu do monte, trazendo consigo a imagem do Crucificado, não esculpida em tábuas de pedra ou de madeira pela mão de um artífice, mas desenhada nos membros de carne pelo dedo do Deus vivo” (Legenda Maior  13,5).



Como eram os estigmas de São Francisco?
“Suas mãos e os pés pareciam traspassados no meio por cravos, aparecendo as cabeças dos cravos na parte interior das mãos e na superior dos pés, e saindo as pontas deles do lado oposto. E aqueles sinais eram redondos na parte interna das mãos  e longos na parte externa, e aparecia um pedaço de carne como se fosse ponta dos cravos, retorcida e rebatida, que surgia da carne restante. Assim também nos pés os sinais dos cravos foram impressos e sobressaíam da carne restante. Igualmente, o lado direito fora como que traspassado por uma lança, ficando fechada uma cicatriz, e dele muitas vezes jorrava sangue, de modo que sua túnica e os calções, muitas vezes, ficavam molhados com o sangue sagrado” (1Celano 95, 1-4).




São Francisco desejava que aquelas sagradas chagas ficassem sempre ocultas:
 “O homem de Deus escondeu-as como pôde, até à morte, não querendo manifestar em público o sacramento do Senhor, embora não conseguisse escondê-las totalmente, sem que pelo menos se tornasse manifesto aos companheiros que tinham familiaridade com ele.




Mas, depois de seu felicíssimo trânsito, todos os irmãos que estavam presentes e um grande número de seculares viram de modo muito evidente o seu corpo ornado com os estigmas de Cristo. Pois percebiam em suas mãos e pés, não certamente as perfurações dos cravos, mas os próprios cravos compostos de sua carne” (Legenda dos Três Companheiros 69,6-70,1-2).




“Quão poucos, enquanto vivia o servo crucificado do Senhor crucificado, mereceram ver a sagrada chaga do lado! Mas feliz foi Elias que, enquanto o santo vivia, de algum modo mereceu vê-la; mas não menos feliz foi Frei Rufino que a tocou com as próprias mãos. (...) Com muito empenho escondia estas coisas dos estranhos, ocultava-as com muita cautela dos mais próximos, de modo que os irmãos que estavam a seu lado e eram devotíssimos seguidores por muito tempo as ignoraram” (1Celano 95, 5-6.9).










ANEXO 1: Fotos do monte Alverne













Vista aérea do convento e santuário do Alverne.






Igreja principal do monte Alverne.

Igreja principal do Alverne.

Interior da igeja principal do Alverne.

Altar da igreja principal do Alverne.

Antigas construções no monte Alverne.


Pequenas capelas espalhadas pelo Alverne.

Procissão cotidiana da igreja principal até a igreja dos Sagrados Estigmas.

Altar-mor da igreja dos Sagrados Estigmas.


Antigas construções no Alverne.


Vista panorâmica do santuário do Alverne.



ANEXO 2: FOTOS DO SANTUÁRIO DE SÃO FRANCISCO DAS CHAGAS EM CANINDÉ - CEARÁ - BRASIL.


Santuário de São Francisco, em Canindé.

Romeiros de São Francisco.


Interior do santuário de São Francisco, em Canindé.

Romeiros diante do altar de São Francisco, em Canindé.

Imagem de São Francisco que está no santuário de Canindé.

Romeiros diante da estátua de São Francisco, em Canindé.

Grande estátua de São Francisco, em Canindé.


PAX ET BONUM!



 Frei Salvio Romero, eremita capuchinho.