terça-feira, 21 de setembro de 2010

SÃO FRANCISCO DE ASSIS:


SÃO FRANCISCO DE ASSIS:


Conversão e Vocação


Quando ficamos a contemplar a história da humanidade através dos séculos, vamos percebendo claramente que Deus nunca abandonou o seu povo, nem dele se esqueceu, especialmente nos momentos mais difíceis e tenebrosos. No Antigo Testamento, os profetas do Senhor eram enviados justamente em tempos de crise, quando a esperança do povo teimava em esmorecer. Não foi diferente nesses dois milênios de história cristã. Nos momentos em que a Igreja mais teve necessidade de grandes profetas, Deus despertou no meio do povo os seus santos e santas.  
Há oito séculos atrás, numa época em que a Igreja de Cristo precisava de um testemunho vivo do Evangelho, apareceu nas terras da Úmbria um “poverello” (pobrezinho) que, imitando a Cristo, atraiu grandes multidões para o rebanho do Senhor. Após tanto tempo, nós ainda permanecemos encantados com este “poverello”, que é uma das mais belas e ilustres figuras de santidade de todos os tempos: São Francisco de Assis. Não é sem razão, que ele foi reconhecido como o “Seráfico”, ou seja, aquele que alcançou um elevado nível de santidade, semelhante aos serafins que coroam a hierarquia das criaturas celestiais.




São Francisco nasceu na cidade de Assis, região da Úmbria (centro da Itália), no ano de 1181 ou 1182. No batismo, recebeu o nome de João, mas, ao regressar de uma viagem, o seu pai deu-lhe o nome de Francisco, provavelmente para homenagear a França.
A sua família tinha se enriquecido através da atividade comercial que, naqueles tempos, voltara a florescer vigorosamente na Europa, após longos séculos de uma economia mais agrária e rural. O seu pai, Pedro de Bernardone, comercializava tecidos e, certamente, desejava que seu filho seguisse semelhante caminho. Sua mãe era de origem francesa e se chamava Joana de Bernardone, conhecida também pelo nome de Senhora Pica.
O filho dos Bernardones cresceu em meio à riqueza e levava costumeiramente uma vida cheia de aventuras, de festas, de extravagâncias: era um esbanjador das posses de seu pai. Conservava consigo um grande sonho de se tornar um famoso cavaleiro, mas aguardava a oportunidade certa para partir em combate.
 Em 1202, por motivos políticos, os nobres de Assis se uniram aos nobres da vizinha cidade de Perúgia para guerrear contra os burgueses (comerciantes ricos) de Assis. Nesse combate entre nobres e burgueses pelo controle da cidade, Francisco toma parte defendendo os interesses de sua classe. O resultado não foi nada animador para o jovem cavaleiro. Contando com vinte anos de idade, ele tornou-se prisioneiro de guerra, permanecendo por um ano nessa condição na cidade de Perúgia. Na prisão, ele sofreu muito e ficou bastante doente. Após muitas negociações, Pedro Bernardone conseguiu a libertação de seu filho, trazendo-o de volta para casa.
Passado algum tempo, depois do restabelecimento de sua saúde, o jovem Francisco começou a demonstrar alguns sinais de que algo na sua vida estava mudando. O fracasso do seu sonho de se tornar cavaleiro e o sofrimento na prisão obrigaram aquele jovem a repensar a sua vida e a buscar o verdadeiro sentido dela.
È bem verdade que em 1204 ou 1205, Francisco, numa segunda tentativa, parte para o sul da Itália desejando concretizar o seu antigo sonho de se tornar um grande cavaleiro. Mas, no caminho, precisamente na cidade de Espoleto, Francisco teve uma visão que o convenceu a voltar para Assis e a se tornar cavaleiro não mais de um soberano qualquer, mas do “Grande e Sumo Rei”, Senhor do céu e da terra.
Desde então, aquele jovem que gostava de viver rodeado de outros jovens, aquele que freqüentava assiduamente as festas e os bailes de sua cidade, aquele que gostava de se exibir com sua suas roupas extravagantes e coloridas, agora buscava a solidão dos campos, a quietude das velhas igrejas abandonadas, o silêncio das grutas e cavernas para ficar a sós com Deus que o atraía cada vez mais para si.
Certa vez, ainda no ano de 1205, estando a contemplar o antigo ícone do Crucificado da pequena ermida de São Damião, aquele jovem escutou uma voz que dizia: “Francisco, vai e restaura a minha casa, que como vês, está toda destruída” (2Cel 10). Prontamente, o homem de Deus procurou obedecer fielmente aquele mandato divino. Porém, só mais tarde ele entenderia mais profundamente o sentido espiritual daquela missão que recebera do Crucificado. Um pouco depois, além da igreja de São Damião e de uma outra que não foi preservada, Francisco reconstruiu a pequenina igreja de Santa Maria dos Anjos, a Porciúncula.
O novo estilo de vida de Francisco deve ter causado estranheza entre os seus. Por isso, não tardaria acontecer graves conflitos com seu pai. De fato, em 1206, diante do bispo de Assis, Guido II, o jovem reconstrutor de igrejas rompeu definitivamente com seu pai, despojando-se até de suas vestes seculares, devolvendo-as a seu pai, e passando a viver solitariamente com roupas de eremita.
Nesse mesmo ano de 1206, encontramos Francisco servindo durante um certo tempo os leprosos da cidade de Gubbio. A experiência com os leprosos foi o elemento mais decisivo na sua conversão como ele mesmo descreve no seu Testamento espiritual. Se antes era para ele amargo olhar para os leprosos, dali por diante, ficar com eles era a doçura de sua alma.
Em 1208, estando Francisco na Porciúncula por ocasião da festa de São Matias, foi proclamado o Evangelho do envio dos discípulos de Jesus, no qual se diz que estes não devem levar pelas estradas nem sacolas, nem dinheiro, nem sandálias, etc. Nesse momento, o jovem Francisco sentiu na sua alma a confirmação divina de sua vocação. Era aquilo que ele buscava com tanto ardor. Imediatamente, para cumprir a ordem do Evangelho, ele troca suas vestes de eremita por uma túnica muito rude em forma de cruz. Descalço e cingido apenas com uma velha corda, ele torna-se, assim, um peregrino de Deus, um anunciador do Evangelho, um seguidor livre do Filho de Deus.
O exemplo de Francisco não passou despercebido aos olhos de seus contemporâneos. Não muito tempo depois, ainda no ano de 1208, começaram a vir até ele diversos amigos de antes para que os recebesse como companheiros de vocação. Assim, dentro de pouco tempo a nova família religiosa foi se multiplicando.
Em 1209, Francisco e mais onze companheiros foram a Roma com o intuito de receber do papa Inocêncio III a aprovação de sua fraternidade. De fato, o papa concedeu uma aprovação oral e os confirmou na vocação, reconhecendo que, dali por diante, eles pertenceriam à estrutura visível e jurídica da Santa Igreja. Estava, deste modo, nascida oficialmente a Ordem dos Frades Menores.


   
     

2 comentários:

  1. É frei Salvio,isso ajuda muito um vocacionado
    e exclarese muito bem,q homem foi São francisco
    de fato é um dos maiores exemplos da igreja,para
    se seguir.

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  2. Tenho 16 anos e estou desde fevereiro lendo o livro fontes franciscanas e clarianas sao 2 mil paginas ate agora fazem sete messes que ainda estou o lendo mas eh um dos melhores livros que ja li na vida!!! Estou na pagina 835 na ultima biografia,a lagenda dos tres companheiros.Quem quiser se aprofundar na magnifica historia de Sao Francisco eu aconselho totalmente este livro como ponto de partida.

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